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Formação humana na grade curricular

19/04/2018

Olhares atentos para a explicação e, logo após, é hora de praticar o conhecimento adquirido. Jovens alunos treinam como executar uma ressuscitação cardiopulmonar, como realizar uma manobra de desengasgo, entre outras situações de urgência e emergência. Conhecimentos como esses podem ser o ponto crucial entre a vida e a morte. Para se ter ideia da seriedade do assunto, informações da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que, anualmente, cerca de 17,5 milhões de pessoas no mundo morrem vítimas de doenças cardiovasculares. Ao mesmo tempo, dados da American Heart Association (AHA) demonstram que sete em cada dez paradas cardíacas ocorrem fora do ambiente hospitalar, ou seja, em casa, na escola ou na empresa, em lugares de grande circulação. Uma pesquisa realizada pela mesma associação em 2004, com professores do Ensino Fundamental e Médio, ainda constatou que 18% deles forneceram atendimento de emergência a mais de 20 alunos por ano letivo, e que 17% responderam a uma situação de risco de vida em sua carreira docente. A importância de ter pessoas preparadas para agir em situações de urgência e emergência é tamanha que escolas do País já estão se mobilizando para ensinar o primeiro atendimento a docentes e discentes, e já existe até mesmo iniciativa que visa a tornar obrigatório o treinamento em primeiros socorros para alunos do Ensino Fundamental e Médio.

O Santa Dorotéia foi o primeiro colégio a implantar o Projeto Amigo do Peito No Centro Educacional Trilha da Criança, professores e coordenadores fizeram a capacitação do Projeto Amigo do Peito

Em Belo Horizonte/MG, escolas como Santa Dorotéia, Trilha da Criança eColégio M2 já fazem do treinamento em primeiros socorros uma realidade na vida dos alunos, por meio do Projeto Amigo do Peito. A iniciativa é uma parceria com a CUREM – Cursos de Urgência e Emergência –, responsável pela capacitação que tem como público-alvo pais, professores, familiares e leigos que desejam ter noções de primeiros socorros. A empresa tem a autorização da AHA e é composta por um grupo de médicos com larga experiência em simulação, urgências e emergências clínicas e traumáticas. Nas instituições de ensino, esses profissionais buscam instruir os alunos, a partir de uma metodologia objetiva e segura, sobre como agir em situações de risco. Em seguida, são realizadas simulações – momento em que o aluno tem a oportunidade de praticar o que aprendeu. Para aproximar a simulação do cenário clínico real, são utilizados manequins de tecnologia avançada, que simulam o corpo humano, e equipamentos médicos como desfibriladores externos automáticos e ventiladores mecânicos, por exemplo.

Médico e diretor da CUREM, Hélcio Levindo Coelho Neto explica sobre a importância de capacitar pessoas que não são da área da Saúde para agir em casos de risco. "Os primeiros socorros são essenciais porque a grande maioria dos acidentes ocorre sem que haja um profissional da área da Saúde próximo à vítima. Dependendo da urgência e da emergência, se os primeiros socorros não forem feitos de forma adequada, o paciente vai a óbito antes mesmo que o serviço de atendimento de urgência chegue”, diz.

A analista de Comunicação e Marketing da CUREM, Agatha Almeida, acompanhou as capacitações do Projeto Amigo do Peito durante o ano de 2017 e analisa que o ambiente escolar é um espaço favorável para o aprendizado de ações que visam à prevenção de agravamento de acidentes. “Em países como a Finlândia e o Canadá, detentores dos melhores e mais equitativos sistemas educacionais do mundo, os primeiros socorros estão na grade curricular dos alunos”, lembra a analista. Além de favorecer uma formação cidadã, a implantação do treinamento em primeiros socorros também pode auxiliar o ensino de outras disciplinas, por meio de ações interdisciplinares. Ao executar uma ressuscitação cardiopulmonar, por exemplo, o aluno pode entender na prática conceitos da biologia ou da educação física. Pode entender o que acontece fisicamente quando usa um aparelho de desfibrilação e medir a intensidade do choque com as equações matemáticas e fórmulas físicas. “No Projeto Amigo do Peito, a inovação se dá pelo aparato tecnológico de manequins avançados e equipamentos de treinamento de última geração, mas a essência da inovação, no caso desse projeto, está no fato de ele conseguir uma interdisciplinaridade que pouquíssimas escolas brasileiras têm sido capazes de alcançar no cotidiano do ensino”, diz Agatha.

Os colégios que implantaram o Projeto já estão colhendo bons resultados. No Santa Dorotéia, por exemplo, um dos alunos que havia participado da capacitação conseguiu ajudar um colega em uma situação de risco, enquanto participavam de um acampamento. “As crianças fazem parte da cultura de um país. E temos que mostrar a importância dos primeiros socorros desde cedo, em uma idade em que elas estão mais abertas ao conhecimento e dispostas  a aprender”, conclui Neto